Um mercado que vive de ideias, não valoriza as que tem.

por André Öberg em 6 de outubro de 2010 às 7:42 pm

Me deparei com esse texto hoje, do Ricardo Cavallini. Achei importante coloca-lo aqui no "Como eh que tá lá?", por tudo que o blog sempre defendeu e representou.



p



Não deve ser diferente em muitos outros mercados, mas falo pelo meu: a maioria das agências não se preocupa com qualidade de vida.



Não existe plano de carreira, não se investe em treinamento, o estagiário é sinônimo de mão de obra barata e o RH funciona apenas como assistente administrativo pra receber nota e entregar o tico refeição.





Uma das principais amostras dessa cultura é percebida quando alguém sai da empresa. O ex-funcionário é visto como um traidor que abandonou o time. A pessoa só vale pelo o que ela faz no dia de hoje, seu passado pela empresa pouco interessa. Algumas até tiram os nomes de ex-funcionário nas fichas de prêmios, mesmo que a participação deles tenha sido vital.



Mas o pior mesmo, é a questão da qualidade de vida. A maioria das agências funcionam como sweatshops. É nego virando noite e chefes que lembram o Capitão Nascimento.

Mais »

Por quê a gente é assim

Para entendermos os porquês disso, é preciso olhar para o passado. Minha teoria é simples e pode ser explicada por um único motivo: não existia necessidade.

Choviam bons profissionais, existiam aos montes. Eles batiam na porta das grandes agências pedindo pelo amor de Deus para entrar.

Para ter uma ideia, no começo da década de 90, trabalhei em uma agência que as pessoas pediam até para ficar de graça. Lembro de um assistente de arte que ficou 2 anos sem ganhar nada, nem tico refeição.

Trabalhar em agência significava ter balada toda semana. Ganhar presentes e viagens. Poder tomar whisky, fumar na mesa de trabalho e até dar um tapa na pantera quando desejado.

Trabalhar de chinelos quando isso não era moda, se vestir como mendigo e ainda assim ter uma carreira meteórica e poder ganhar altos salários.

Resumindo, agência de publicidade era o único lugar onde você poderia ser yuppie e hippie ao mesmo tempo.

E com tantos “benefícios”, em troca o patrão podia cagar na sua cabeça todo dia. Cagar com tamanha propriedade que ninguém acreditaria se passasse na novela.

Os almoços de 3 horas eram seguidos virando a noite trabalhando 3 dias seguidos. O lado bom e o lado ruim se alternava com uma frequência incrível.

No começo da carreira, pedi demissão de um lugar quando descobri que um colega entrou para trabalhar na quarta de manhã e saiu no domingo a noite, sem sair nem pra almoçar ou jantar, comendo lanche em cima da mesa.

Em outro lugar, fiquei 3 anos sem férias nem finais de semana. E quando ia para casa no domingo às 10 da noite, as pessoas me olhavam feio.

Por estes e outros motivos, o turnover nas agências é altíssimo. Nesta agência em específico, chegou perto dos 80%. Em um ano de trabalho, poucos resistiam. Alguns surtavam, outros ficam doentes, outros simplesmente pediam as contas para trampar em lugares menores. Teve até um cara que deu um soco na boca do patrão. Coisa de novela.

Assim como os outros, esta foi a minha opção. Com altos e baixos, eu sempre fui feliz neste mercado, mesmo não sendo adepto dos tais “benefícios”, por isso não se trata de uma reclamação, mas de relatar os fatos. Não são minhas histórias, mas a de todo mundo que está nesse mercado faz alguns anos.

E infelizmente, realidade também para o povo das agências digitais. Justo elas, que sempre criticaram o modelo das tradicionais.

A mudança

Mas o mercado mudou, de formas e jeitos diferentes. A lucratividade, que sustentou boa parte destes devaneios, caiu muito.

E mesmo que os estudantes de faculdade de comunicação não saibam disso, os tais “benefícios” diminuíram todos.

Sem contar que muitos destes “benefícios” já não são encarados como tal. Fumar e beber no trabalho já não é mais o objetivo de muita gente. Muito menos ter alguém fumando e bebendo do seu lado o dia todo.

Mesmo não sendo o principal fator na escolha do emprego, os jovens de hoje valorizam mais a qualidade de vida. As pessoas estão cobrando mais caro para vender a alma ao diabo.

E não chovem mais bons profissionais para todo lado. Para ser um bom profissional, não basta apenas ser criativo, ter boa cultura e boa vontade.

O conhecimento técnico de cada área aumentou muito. O consumidor ficou mais exigente, o ambiente mais complexo e todos precisaram se profissionalizar.

A complexidade disso tudo elevou à décima potência com a entrada do ambiente digital.

Achar bons profissionais digitais é muito difícil. Mantê-los felizes, mais ainda. E são raros os profissionais que conhecem o ambiente tradicional e o ambiente digital. Dá pra contar na mão, na mão do Lula, que tem menos dedos. Até que essa divisão deixe de fazer sentido na prática, treinar gente é caro e manter os bons profissionais está cada vez mais difícil.

Processos e cultura passaram a ser mais importantes que nunca. Enfim, investir em pessoas passou a ser fundamental por vários motivos.

Não era necessário mas agora é. E a maioria dos gestores demorou para perceber. Acho que a maioria ainda resiste a ideia. Parece estranho para quem sempre viu as agências como um padrão de empresa ágil e moderna.

Mas empresas são empresas. Como eu disse, talvez não seja diferente de nenhuma outra categoria ou indústria.

A boa notícia é que estamos no começo desta mudança. Eu já percebo em várias agências um movimento contrário, onde o RH começa a ganhar força, existem investimentos em treinamentos e preocupação com a qualidade de vida de seus funcionários.

Não são todas e ainda existe muito para ser feito, mas é um começo.

1 Comentário »

Colírio para olhos vermelhos

por Digo Souto em 6 de outubro de 2010 às 6:06 pm

Achei bem criativo esse aplicativo para iphone que corrige olhos vermelhos indesejados nas fotos. Simplesmente pelo fato do app ser de uma marca de colírio. Vi no updateordie.

Picture 1

Sem Comentários »

Alone in New York | Giuseppe Vetrano

por André Öberg em 30 de setembro de 2010 às 12:01 pm

Depois de um tempo meio sumido do Blog (meio é no mínimo cara de pau minha) resolvi aparecer. Ontem achei esse diretor italiano, Giusepee Vetrano, no Vimeo. No canal dele, assim como no site da pra encontrar belíssimos curtas que ele mesmo filma, edita e corrige. Excelentes refêrencias de filmagem, com um puta bom gosto. Postei aqui meu favorito, com uma trilha sensancional. Após o video coloco alguns comentários do próprio Giuseppe sobre a filmagem. Bem legal.


Mais »

Shoot with Canon 7d, 17-55 2.8 zoom lens and all handheld.



Music: there are 2 tracks i've put together. They are not famous, but comes from a private library.

Photography: I've used a custom profile on magic bullet looks. Desaturated a lot colors, got more contrast, sometimes added little of vignette, sometimes brightened some dark areas to simulate a reflective fill panel.

Movements: I've shoot all handheld. The dolly movements you see are only made with a smooth movement of my body/arm. The skycrapers are filmed by a double decker bus running!

Sem Comentários »

Fruta na caixinha

por Digo Souto em 28 de setembro de 2010 às 3:35 pm

Embalagem bem criativa desenvolvida pelo estudante australiano Yunyeen Yong para vender suco na caixinha. Vi no Lovely Package.

jooze1

jooze2

Sem Comentários »

Stop Motion criativo

por Digo Souto em 28 de setembro de 2010 às 1:33 am

Um Stop Motion do ano passado que só tive a oportunidade de conhecer agora. Achei uma bela referência!


Sem Comentários »

Varejo Criativo

por Digo Souto em 22 de setembro de 2010 às 11:51 am

Campanha da Leo Burnett vencedora dos Profissionais do Ano na região sudeste mostrando que dá pra fazer um varejo criativo e "VENDEDOR" ao mesmo tempo. Dica do amigo, Little John.








Mais »

















Sem Comentários »

Toy Art

por Digo Souto em 21 de setembro de 2010 às 7:11 pm

Estava fuçando no Behance e encontrei esses divertidos Toy Arts. Vi aqui.



7ca2d95d0e206bb0298da5a4248e4c5f

Mais »

0cd95d0f41f135f6933129a7aed92505



1d8148da4bddab5801915ee0286cf76a



2d3e979f844996cf76817e09b0b9eec2



4bbc3040547aff80e76100a869772378



4fcf6b1e9a384b6cca81172e177bd346



763a9df77497b8a3fe20c18d8cb14d09



9bb06c7453216880d8066331c1d8af33



9e7455e30be6ac8fba6d347f04f35a97



13a55f61622d2eff51420dada5c16269



24310e1a5aabab30ccf91b2cd195eb14



7266047dc67c2bb47d4491e917c3e51b



a4230b6280fc49fe1b98589078dd20ef



b2a072160f312593496ed4fb75a3b7fa



b65f245ab2c83a5e1a5302e8ff200cb5



bf66d7c8a960c50635915536981290bc



ca4adb134789d9d83211ace6f94668b2



eca2c50b14e4dd3879ad483464c6c0a1

Sem Comentários »

Use o cinto!

por Digo Souto em 14 de setembro de 2010 às 9:55 pm

Um filme com a batida mensagem de usar o cinto de segurança, porém contada de um maneira bem emocionante. Isso prova como é possível falar de algo tão sério sem mostrar imagens bizarras de acidentes e ainda conseguir um grande impacto. Dica do amigo Little John.


Sem Comentários »

Pablo Lobato portfolio

por Digo Souto em 14 de setembro de 2010 às 6:53 pm

O argentino Pablo Lobato tem um estilo bem particular de ilustrar. Ele trabalha suas imagens criando formas geometrizadas e com as cores bem equilibradas. O cara manda muito bem. Confira mais no blog do Pablo. Vi no supersonic eletronic.



woody

Mais »

3350798625_34286ee40a



3368937069_73a83396e9_o



3417070742_4c5c1f0c5e



3486610862_4c9c338eb2_o



4032260750_ba8b56113c_o



4077873407_5c20204c30_o

Sem Comentários »

Bem mais leve!

por Digo Souto em 14 de setembro de 2010 às 5:58 pm

Uma ação no pdv bem interessante para vender a promessa que Coca-cola zero é bem mais leve. Impossível não chamar a atenção!

oap2_cokezeroinvertedpyramid

Sem Comentários »

© Como eh que ta lá?. Powered by Wordpress