Entrevista com André Matarazzo

por Daniel Adler em 8 de outubro de 2009 às 9:46 pm

Mais um post tirado do Pacote201, mas é por uma boa causa =).

Ja tive a oportunidade de particpar de um workshop com o André Matarazzo, e foi nota 10! Ai vai o post!





Uma das figuras mais criativas do mercado atual, André Matarazzo, nos concedeu um pouco do seu tempo para uma entrevista exclusiva e informal, por intermédio do nosso amigo e colaborador Henrique Sanches. Tentamos fazer perguntas diferentes – fora dos padrões normais, a pedido do próprio, como “Qual o futuro do mercado” e “Como vocês contratam” -, envolvendo o passado – e o futuro – da sua carreira, trabalhos da Gringo, experiências bizarras e até a história das suas tatuagens.

Do caralho.

Se quiser conhecer um pouco da Gringo por dentro, clique aqui e confira o vídeo.



Carreira: Quando você começou, imaginava chegar aonde chegou? Seu sonho era ter uma agência igual a Gringo?

Comecei em 1997 num provedorzinho de internet em Campinas, no interior de São Paulo. Não, nunca pensei que chegaria longe. Acabei descobrindo que tinha talento depois que comecei a subir na carreira. Não achava que um dia teria uma agência. Inicialmente quis fazer carreira nas grandes agências mundiais, nunca ter a minha.



Quais as suas próximas ambições?

Ver a Gringo virar internacional.



Você já trabalhou em vários lugares diferentes e em diversos países. Qual foi a experiência mais bizarra?

Fazer uma reunião no Japão com o cliente Hyundai (Coreano), dentro da Dentsu, com interprete, falando sobre a nova campanha digital que estava inteira sob minha responsabilidade. Foi um capítulo exato de “Lost in Translation”, com direito a confusão de troca de cartões na entrada, muitas pausas para reflexão entre os diálogos. Realmente muito diferente.



Cite 3 projetos que você não fez, mas que “queria muito ter feito”.

Nike +
Wopper Sacrifice
The best job in the world



Quais foram os projetos mais complexos da sua carreira?

- Coca-Cola Zero: Prove que é possível

É um projeto atual com 5 instâncias, que está agora na fase final, ao vivo. Foi uma construção minuciosa e longa.


– Gatorade It’s on you

Site para Gatorade Canadense que contava com 4 jogos online. Era o início da Gringo, produção total, difícil, time sendo formado, mil problemas com inserção de Quicktimes transparentes dentro do Flash, o cliente mudando games de última hora.


– Coca-Cola Teens 2009

Plataforma atual de Coca-Cola que iniciou com HappyMe, que foi dos sites tecnicamente mais complicados que fizemos, pelo número de agências e tecnologias envolvidas. Depois veio o site do robô de “Abra a felicidade”, também à primeira vista simples mas bem minucioso e complexo. Produção pesada é sempre um desafio legal.



Gringo e o Mercado: Descreva a Gringo em 5 palavras/imagens.

Inusitado, irreverente, amigo, relaxado e profissional.



Qual é o processo criativo das ações desenvolvidas na agência?

Temos: - Relacionamento e prospecção

- Planejamento de Campanha + pesquisa

- Planejamento do Projeto

- Produção Projeto

- Launch

- Post-Mortem / Business Intelligence.

Cada um desses se ramifica em várias outras partes.



Quais são as suas referências no dia-a-dia na agência?

Tento olhar sempre para as agências que admiro e como elas lidam com o dia-a-dia, com sua equipe, no que acreditam, os resultados que obtém. Olho para Crispin, Goodby e W+K sobretudo.



O que te deixa puto no mercado de hoje?

As maioria das agências offline que está cagando para o bom trabalho, 100% calçada em BVs de mídia, copiando e fazendo trabalhos fantasma para premiação. Acho perverso e acho que atrapalha o desenvolvimento das agências realmente criativas.



Desde acordar até dormir novamente, como é o seu dia-a-dia?

Eu costumava acordar, vir para a Gringo, e depois voltar pra casa e dormir. Comia 2 sanduíches na minha mesa. Agora a agência está mais estruturada e já me permite ter uma vida mais normal. Fico aqui mais ou menos entre 10h e 20/21h, depois vou jantar, malho, toco cello, relaxo.



Muita gente vê o André Matarazzo como um cara despojado no ambiente trabalho, contrário da maioria dos diretores de agência. Como você encara isso?

Adoro isso. Estou sempre de shorts e camiseta, só coloco calça quando tenho reunião com cliente se não consigo subir no prédio por alguma norma babaca. Embora despojado, sou super perfeccionista e as vezes muito chato com a qualidade do que sai da Gringo.



E, pra finalizar, onde você fez as suas tatuagens e quais seus significados?

- Bíceps: Brasil

- Cabeça: Suíça

- Antebraço: Canada

- Perna: Brasil

A do bíceps é um carimbão tribal que eu encontrei num livro qualquer quando tinha 17 anos e queria qualquer tatuagem no corpo. As da cabeça são inspiradas em elementos polinésios das Ilhas Marquesas que fiz com um cara incrível chamado Mumps, um suíço mucho loco. Do braço são nadadeiras de baleiras de designs simplificados da tribo Haida, do Canada, onde morei por alguns anos. Finalmente na perna foi com o cara mais foda de todos os tempos, Jun Matsui, que também se inspira em tribais polinésios.


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