Como todo mundo já sabe, o Conar abriu processo contra o Comercial da Mood para a Devassa – onde a grande estrela é a polêmica(devassa) Paris Hilton. O comercial saiu do ar e em rápida resposta surgiu um novo filme, debochando da censura e do pseudo-puritanismo aplicado pelo nosso órgão de autorregulamentação. Quando vi o primeiro filme, critiquei a falta de ousadia, já que o objetivo era polemizar chamando uma loira devassa pra anunciar uma Devassa loira. Achei o filme morno, bem comportado. Pórem, quando li a notícia do processo me surpreendi.
De fato, nossos consumidores são historicamente conservadores em relação ao resto do globo, e em nossa cultura midiática até meio-palavrão é considerado insulto. Contudo essa campanha foi absolutamente dentro dos nossos padrões de caretice, bem menos apelativa qua a maioria dos filmes de cerveja, não era o caso, era até bem comportanda tratando-se de Paris Hilton. A suposta “moralidade” aplicada a publicidade não condiz com nossa cultura televisiva, musical, jornalistica ou qualquer outra forma de comunicação tupiniquim. Mandou muito mal o Conar, num momento de transformação cultural, onde até a conservadora Rede Globo nos apresenta um BBB “diferente”, nosso orgão dá uns 50 passos pra trás.
Quem perde é a própria publicidade, cada vez mais amarrada pelos clientes medrosos e careta pelas censuras de seu orgão. Já a Devassa, ponto central da discussão, deve estar satisfeitíssima com todo o buzz causado pela polêmica.